terça-feira, 11 de outubro de 2016

Como é bom experimentar o mundo!!!

Todos os dias nos vemos perdidos no meio de tantas informações, acontecimentos, ideias, mas o que realmente nos toca? O que nos provoca, modifica, assombra ou maravilha? Como já nos dizia Larrosa:
“A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça. Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.”
As crianças também estão imersas nesse mundo, porém ainda trazem consigo essa vontade de experenciar, conhecer e descobrir com o corpo inteiro. Como nós, enquanto educadores das Infâncias estamos possibilitando experimentações, pesquisas, brincadeiras e alegrias?
Trazemos aqui uma experiência que nos maravilha, do CEI Helena Pereira de Moraes, no Jardim Helena, bairrro do Município de São Paulo. As crianças do Mini Grupo I e II com as professoras: Luciana Xavier e Claudelicia Marques descobriram novas formas de experimentar o corpo que pinta e brinca, na área externa da Unidade com plástico e tinta!!!
 


 

 


Referências Bibliográficas:

Currículo Integrador da Infância Paulistana – SME/DOT, 2015

Larrossa, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber da experiência.
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n19/n19a02.pdf

 
 

domingo, 26 de junho de 2016

A burca!

Do trabalho com tecidos que iam para o parque e viraram cabanas em 2014, surgiram outros desdobramentos com as crianças de cinco anos, entre eles o de criar roupas e promover desfiles. As crianças estavam se divertindo muito e todos os dias essa era a temática com os tecidos. Então trouxe uma indagação: o que é moda?
_Moda é uma coisa que é bonita. - Nícolas
_Moda é uma coisa que é bem linda. - Davi
_Estilosa!-Julia
_Moda é um perfume da Jequiti, uma roupa bonita é tudo! - Erick
_A moda é um vestido branco de flores que é muito bonito. -Erick
_Minha mãe é costureira e ela fez uma roupa para mim. Ela fez fantasia de lobo mau...Não! É de Hulk!-Caio
_Minha mãe é costureira!-Nícolas
_Veio da faculdade. -Davi
_As mães podem inventar sim, mas tem panos sujos aí que vem do lixão. Então a mãe, ela pega pra costurar, mas primeiro elas lavam e depois costuram pra ficar bem limpinho, pra pegar e nascer muito branquinho.-Erick
_E como eram as roupas no tempo das cavernas? - Professora
_Os homens da caverna se vestem com folhas.-Julia
_ Eles pegam... eles são igual as mães. Pegam e pintam de amarelo com bolinhas pretas. Mas primeiro vem do lixão e elas lavam, depois costuravam de amarelo com bolinhas pretas.-Erick
_E na época de Jesus? - Professora
_Era feita de papelão!-Erick
_Era quase igual a nossa, mas tava rasgada. -Nicolas
_Ele usava um vestido.-Davi
_Um vestido pra homem!- Nícolas
_Jesus era menina! (risos)-Julia
_Você está zombando de Deus!-Nícolas
Nesse momento mostrei para as crianças o livro: Moda: uma história para crianças, da Editora Cosac Naif e da Autora Luciana Schiller, que conta os modos de se vestir através dos tempos e dos povos, como surgiu a camiseta e a calça jeans, porém senti o livro falta das vestimentas africanas e de alguns outros povos e recorri a internet para ajudar. 

Uma das nossas fontes de pesquisa

Vimos primeiro a roupa através dos tempos pesquisando junto com as crianças em vários sites e depois as roupas dos diferentes povos e etnias. Quando viram a burca do Afeganistão elas ficaram muito impressionadas e quiseram saber mais sobre ela. 
As crianças ficaram impressionadas com a burca no Afeganistão

Novamente recorremos a pesquisas e então as crianças pediram: Vamos andar de burca pela escola? 
Como? eu perguntei para eles e me apontaram para a caixa de tecidos. De lá tiramos cinco tecidos grandes o suficiente para que ficassem cobertos e combinamos de andar pela escola assim, combinamos também que faríamos a experiência em grupos, um por vez e quem estivesse sem a burca ajudaria o amigo que estivesse usando.
O passeio pela escola intrigou a todos, outros professores e funcionários olhavam perplexos para as crianças andando daquela maneira e quando indagadas as crianças prontamente contavam sua ideia. Registrei com um gravador algumas falas delas nesses momentos e após a experimentação também:
_Senti um calorzão quando fui lá fora. - Franciele
_Quando a gente foi lá fora ficou bem calor embaixo do pano.-Julia
_É muito ruim de subir as escadas e descer. Alexia
_ Eu gostei, foi "mó" da hora, mas ficou escuro.-Bianca
_Tava bem calor e eu consegui beber água. - Kaline
_Não dava pra eu ver nada quando eu tava no sol, aí eu não tava enxergando nada.-Arthur
_Eu consigo subir as escadas, eu olho pelo buraco embaixo do pano. Vivian
_Eu usava burca pra sempre.-Caio

Nos brinquedos do parque

Tentando conversar

Bebendo água

Convencendo a professora que isso ia dar certo!

Subindo as escadas

A maioria disse que havia adorado a experiência, o que me intrigou bastante, esperava que enfatizasse como era difícil andar assim, apesar de terem dito isso também ficaram muito eufóricos para fazer de novo. 
Depois dessa vivência conversamos muito sobre as questões de gênero e como a mulher se veste e quem diz o que ela pode ou não vestir: 
_Prô, eu acho que a mulher tem que usar a roupa que ela gosta e os homens não podem ficar mandando nela.-Guilherme.
Mais tarde, quase no fim do ano quando reviam as fotos ( que ficam disponíveis para eles no livro que montamos juntos) é que entendi de fato o porquê de terem gostado tanto, compreendi quando a Viviam me disse: Prô, você lembra desse dia? Andar de burca é muito ruim mas a gente conseguiu fazer tudinho, brincar, beber água e subir a escada.
Aproveitando o tema, o interesse das crianças resolvi trazer também a biografia de Malala Yousafzai que havia ganhado o Premio Nobel neste ano (2014). Ficaram sabendo que nem todas as meninas no mundo podem ir à escola. Souberam também de outra religião: o islamismo e que há um modo de ser e pensar diferente em outros países muçulmanos, não tão radicais. Conheceram ainda outra peça bastante utilizada pelas mulheres o Hijab, que diferente da burca é uma roupa islâmica . Dessa forma, as brincadeiras com tecidos e a escuta das crianças nos possibilitou tantas experiências e tantos conhecimentos construídos conjuntamente e de maneira significativa e prazeirosa.

Uma das páginas do Livro da Turma






terça-feira, 31 de maio de 2016

Bichinhos de batata

Quem nunca brincou com verduras ou legumes? Criou bichinhos, personagens, histórias?
Trouxemos batatas, palitos de fósforos, de dente e canetinhas pra que as crianças pudessem criar... A experiência foi muito interessante, cada criação é única. Bichinhos pronto para a brincadeira.




















domingo, 10 de abril de 2016

Eita! Estourei com o pé!!!

Entre bolhas, estouros, sensação... PLOC...PLOC...PLOC... Com os pés, mãos, o corpo todo. Brincadeira, descoberta, alegria. O plástico bolha preso no chão possibilitou uma experiência bem interessante as crianças. Inicialmente eles pulavam eufóricos percebendo o barulho que provocava estourar as bolhas. Depois curiosos passaram a analisar atentamente, pesquisar e elaborar suas próprias percepções.



















sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O Material Não Estruturado

Tecidos, caixas, tampinhas....Há algum tempo temos trazido algumas propostas com materiais não estruturados, mas ainda não tínhamos discutido as inúmeras possibilidades que eles nos oferecem. Materiais simples que permitam, as crianças transformar os objetos e os espaços oportunizando uma experiência nova e enriquecedora a cada brincadeira. Por vezes, as crianças ficam muito felizes em coletar esses materiais mobilizando seus pares e sua família nessa tarefa.  Além dos já citados temos também cones, carretéis, madeiras, conduítes, pneus, recicláveis, cordas, elementos da natureza (terra, areia, flores, sementes, pedras, galhos) e muito mais por experimentar.
Diferente do brinquedo convencional esses materiais trazem um desafio de criar, de inventar e a criança vivencia um ambiente que convida a investigar, a pesquisar, a refletir sobre o objeto e as possibilidades de ação sobre ele.
O uso destes materiais propicia a construção de espaços, tempos e brincadeiras na rotina das crianças, levando-se em consideração o que pensam, sentem, desejam e interagem. Através desse materiais elas agem e pensam, modificam seu uso, os transformam ressignificando dessa maneira o mundo que as rodeia. Usam o jogo simbólico para se colocar no lugar do outro, viver papéis diferentes e assim conhecer e respeitar a diversidade e outros pontos de vista.
O mesmo material pode ser apresentado de diversas formas para as crianças e assim criar uma infinidade de brincadeiras. No caso do tecido: grandes, pequenos, retalhos e tiras fazem toda a diferença quando as crianças criam com seus pares as brincadeiras e seus enredos. São cabanas, tendas, brinquedos de vestir, adereços, roupas de boneca, o tecido tem movimento, isto propicia muitas possibilidades e até intervenções no espaço. 



Nesse jogo de salvamento as crianças estão utilizando uma corda de tecido, são tiras de tecido trançada.

Já essas tiras de tecido amarradas numa estrutura de balança (que não estava sendo utilizada com esse fim) criou um jogo coletivo.
As caixas podem ser grandes, pequenas, abertas, fechadas.... Quantas brincadeiras!
Esse material possibilitou que as crianças criassem um carrinho e experimentando descobriram que ele desliza com mais velocidade no escorregador, além disso, surgiram camas; berços ora para as bonecas, ora para as crianças; casinha; mesas...

Casinha e garagem.
Pista de carrinhos

Cama
Corrida de obstáculo
Construindo Torres
Suporte para o desenho com carvão
Caixas e tampinhas




Mosaico de tampinhas

Nesse contexto o papel do educador é fundamental na medida em que propicia um ambiente acolhedor, propulsor de experiências e aprendizagens, além de materiais desafiadores, estéticos e versáteis, como nos diz GIROTO (2013)
"para isso, é fundamental que os objetos e todo o espaço tenham sido planejados para as crianças de fato. Que os materiais sejam organizados ao seu alcance e de maneira compreensível para que possa guardá-los e recuperá-los. Que ela possa agir sobre os objetos e interferir no espaço com autonomia e criatividade."

Materiais como esses simples, versáteis, de baixo custo que não foram pensados para ser brinquedo, mas permitem a exploração, incentivam a ludicidade, são propulsores da brincadeira. Além de ser instrumento de escuta, pois através deles as crianças criam infinitas possibilidades de brincar, os educadores atentos aos caminhos percorridos pelas crianças podem  ouvir, olhar, sentir o que elas pensam, criam, sonham e conhecem, trazendo novas perspectivas e possibilidades para o brincar.


BIBLIOGRAFIA:

GIROTTO, Daniela. Brincadeira em todo canto: reflexões e proposta para uma educação lúdica. São Paulo: Peirópolis, 2013.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Histórias sobre o Dente de Leite

Um momento significativo na vida das crianças é quando os dentes ficam moles e começam a cair, surgindo "as janelinhas". O assunto estava borbulhando entre as crianças, alguns estavam com medo, os que já passaram por isso consolam os amigos e contam suas histórias. Eu tive a oportunidade de ouvir algumas e gostaria de compartilhar...



"Caiu cinco dentes. Meu avô e minha mãe que arrancou. Deixei no travesseiro a fada achou e levou. Cai o dente pra nascer outro mais bonito e forte."



"Minha mãe arrancou  meu dente com a linha. Lavei a boca porque saiu sangue, bebi água com sal. Coloquei no travesseiro e a fada me deu um troco."




"Eu puxei o dente com a língua, ele caiu. Coloquei no travesseiro e a fada pegou."

"Meu irmão me chutou e meu dente caiu e coloquei embaixo da mesa. A fada achou e deixou um dinheiro."


"Fui comer e puxei com força e caiu. Deixei em cima da cama, a fada do dente achou e deixou dinheiro.."

"Caiu dois dentes sozinhos, eu nem vi. Pisei e "pegui". Coloquei no travesseiro e a fada achou."



"Meu dente caiu, meu pai tirou com o alicate de unha. Nem doeu. Coloquei no criado mudo, lavei a boca e quando eu vi o dente não estava mais lá."



"Meu pai arrancou e caiu, coloquei no travesseiro, a fada achou e deixou um dinheiro. Mas eu guardei pra não perder."
Num primeiro momento achei que ela tivesse guardado o dinheiro (também deve ter guardado). Mas dias depois quando ela trouxe o dente pra compartilhar com os amigos, foi que compreendi o que ela guardou.




"Quando eu tinha dois anos estava jogando futebol com meu pai, pisei na bola, cai, bati meu queixo meu dente caiu no ralo."

"Quando eu estava comendo caiu um pedaço do meu dente, mas a fada não vai querer um pedaço. Só o dente todo."


"Eu não sei se existe essa coisa de fada não. Porque uma vez eu coloquei o dente no travesseiro e ela deixou uma moeda. Depois quando fui pra minha avó eu coloquei duas vezes e ela não deixou nada. Só se ela não sabe onde é a casa da minha avó."



"Ela queria que eu tirasse uma foto da "janelinha" e mandasse pra você pelo whattsap."(mãe de uma criança contando que ela queria compartilhar prima que mora longe).



"Quando pequena meu pai arrancou meu dente, depois eu o joguei em cima do telhado e fiz um pedido. Lembro-me desse momento, só não lembro qual foi o pedido.


Descobrimos algumas curiosidades sobre esse momento da perda do dente de leite e as histórias que são contadas as crianças em algumas culturas. Além da história da fada do dente que as crianças trouxeram conhecemos o Ratóncito Perez que assim como na história da fada pega o dente das crianças no travesseiro, mais conhecido na Espanha e  alguns países  de língua espanhola. Existe também o Museu do Rato Perez em Madri.
Já na Inglaterra quando o primeiro dente de leite cai eles o queimam, pois acreditam que assim os novos não nasceriam tortos.
Em algumas partes da Espanha acredita-se que os dente de leite devem ser enterrados, pois os que vão nascer serão fortes e bonitos como as plantas.
Em algumas culturas indígenas quando todos os dentes de leite caem e nasce a segunda dentição os adolescentes tem os dentes frontais cortados em formato de serra "dentes de piranha". Eles acreditam que demora mais para cair, além de ser bonito. Costume que está se tornando raro, seja pelo contato com diversos materiais de higiene bucal, seja pela falta de compreensão das pessoas que não conhecem esse costume. Acredita-se que a modificação dentária dos indígenas brasileiros surge depois da chegada dos escravos africanos. E na África, esse costume já existe com o corte em diversos formatos e outras técnicas.
Também conhecemos o "pau de mascar" usado em algumas partes da África, Ásia e do Oriente Médio. Ao ser mastigado, as fibras ficam expostas, formando uma "escova" aspera. Na África Oriental, cerca de 300 espécies de árvores e arbustos são usadas para essa finalidade.

Mais Informações:

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/dentes-esculpidos-pela-tradicao-7z2eomhck6sdiusxjb0v7b5fy
http://saude.terra.com.br/saude-bucal/atualidades/aprenda-brincadeiras-para-a
-hora-de-cair-os-dentes-de-leite,075109cd41b2a410VgnVCM3000009af154d0
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